
Por Paulo Terron Aos 27 anos, Alinne Moraes encara na pele os mais diversos personagens e afirma que já teve tempo para superar crises pessoais e descobrir um caminho na televisão. Tentando se equilibrar na corda bamba da parcimônia, sem pender para os excessos ou para as restrições, ela quer envelhecer na frente das câmeras o Parque Henrique Lage, no Rio de Janeiro, é um pequeno oásis de mata atlântica, com vista lateral do Cristo Redentor. O casarão que hoje abriga a Escola de Artes Visuais do Parque Lage é cercado por uma farta vegetação, por onde esquilos e macacos saltitam livremente, ignorando o calor infernal que dominou a cidade. Lá, o ar fresco e o clima tranquilo fariam com que o mais paulistano dos executivos tivesse vontade de passar o dia de bobeira. Alinne Moraes chega sorridente ao café do parque, vestida com lycra esportiva preta. Ao tirar os grandes óculos escuros, não revela nada no rosto que indique que ela tenha acabado de acordar. Ela se desculpa (mesmo sem estar atrasada) e explica que a localização do parque - no caminho entre sua casa e o escritório de seu empresário, além de bastante próximo da academia de balé que ela frequenta - fez com que esse se tornasse um dos locais favoritos dela para um café da manhã. Ninguém em volta acha anormal que uma das atrizes centrais da novela de maior audiência da Globo, Viver a Vida, esteja ali. Ou melhor, quase ninguém. Plantado na porta do café, um garçom espera Alinne se aproximar e a cumprimenta: "Oi, Alinne!" Momentos depois, ele já está na copa do lugar comentando com as outras atendentes: "Que engraçado! E a gente fala dela todos os dias, né?" CLIQUE AQUI PARA ASSISTIR AO VÍDEO COM O MAKING OF DA FOTO DE CAPA DE ALINNE MORAES. Nesse sentido, a atriz de 27 anos combina com o clima imperial do local. Afinal, um espaço de destaque no horário nobre da maior rede de televisão da América Latina seria o correspondente brasileiro a fazer parte de uma família real europeia. E, se por outro lado essa vaga de estrela não é vitalícia, Alinne tem mantido o sangue azul circulando nas veias com a notável marca de sete novelas nos últimos sete anos. É até difícil mensurar o que esse tipo de exposição pode trazer para alguém dentro de uma tabela imaginária de celebridade: se nos Estados Unidos um espectador tem de pagar para assistir a menos de duas horas de Megan Fox na telona, por aqui Alinne Moraes é estampada diariamente nos televisores, gratuitamente. Do garçom do café do parque ao motorista de táxi, todo mundo a reconhece sem esforço - se não nominalmente, pelo menos como "a menina da novela". Nos primeiros minutos de conversa, uma coisa fica clara: ela é exatamente isso, "a menina da novela". Sentado diante de uma mesinha frágil, sinto que não estou conversando com uma atriz experimentada e obcecada pela profissão, no sentido de que Alinne parece aberta a falar sobre qualquer coisa sem se prender muito à sua arte. Linda naturalmente, sem um pingo aparente de maquiagem, ela olha tão fixamente nos meus olhos que seu corpo escultural - reforçado e realçado pela malha colada - nem chega fazer diferença. As unhas estão pintadas com esmalte escuro, já descascado. Os cabelos estão presos (mais tarde ela confessa que acha esse estilo "menos sensual"). É desse mesmo modo informal, quase involuntário, que a ex-modelo se tornou uma das atrizes mais famosas do Brasil - e agora segue determinada, tentando encontrar um meio do caminho ideal entre interpretação, fama, vida pessoal e a carga pesada de quem grava até seis dias por semana, durante oito meses ininterruptos. Ralação, aliás, com a qual ela está completamente satisfeita, sem queixas quanto ao esquema intenso da emissora que a emprega. "Tem muitas pessoas na Globo que trabalham felizes", diz, calmamente. "E tem outras que vão reclamar sempre, que vão dizer que a emissora faz pizza, que é tudo rápido, que não tem arte. Mas a gente sempre sabe que vem pepino no sanduíche do McDonald's e ponto! E sempre vamos ao McDonald's porque gostamos", compara. "Prefiro sempre ver o lado positivo." Nascida em Sorocaba (SP), Alinne passou a infância alternando temporadas entre um apartamento na cidade, com a avó, e uma chácara, com a mãe e o padrasto. Foi na área rural que ela sentiu suas primeiras atrações pelo mundo da ficção. "Na chácara eu tinha os animais e as coisas da minha cabeça - um pedaço de pau que virava varinha -, enquanto no prédio tinha os amigos para brincar", explica, sem conseguir tocar no sanduíche ou no suco que estão sobre a mesa. Ou no café, o primeiro de muitos que a ajudariam a manter o planejamento de um dia cheio e sem hora para acabar.
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